Por Jean Pierry Oliveira
Em conversas com alguns amigos também aficionados por Televisão e toda a sua magia, se tem um assunto que é unanimidade entre nós é a seguinte: é cada vez mais difícil assistir a programação da “Rede Record”.
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| Geraldo Luís comando o Domingo Show: show de sofrimento na "Record" Foto: Antonio Chahestian/Record |
Em conversas com alguns amigos também aficionados por Televisão e toda a sua magia, se tem um assunto que é unanimidade entre nós é a seguinte: é cada vez mais difícil assistir a programação da “Rede Record”.
Explica-se. Não se tem um dia da
semana ou do final de semana que você não passe incólume por diversas
pieguices, histórias tristes e sofridas que ganham as telas com o intuito claro
de prender o telespectador, nem tanto pela qualidade, mas sim pelo sentimento
de choro ou piedade. Ainda que as demais emissoras também lancem mão deste
recurso, sempre empregado quando se busca audiências maiores do que as de
costume, é na emissora de Edir Macedo que a coisa ganhe mais corpo e forma. Nos
noticiários é comum assistirmos as mazelas das grandes cidades. Porém, em
demasia é algo que “espremeu, saiu sangue”. Ou não é essa a impressão quando se
vê o “Cidade Alerta” ou os regionais “Balanço Geral”?
Indo para o lado do
entretenimento, também fica puxado. Toda quarta feira “Programa do Gugu” nos dá
esse exemplo. Com uma grande carreira na TV e ótimos formatos já apresentados,
Liberato parece outra pessoa na Record. Sua atração tem como objetivo não
entreter, mas te fazer chorar a todo custo. Cada semana é uma história mais
triste do que a outra, onde a benesse de poder amenizar a dor do outro vem em
cima da espetacularização da vida do próximo. São diversos quadros, disfarces,
matérias e a indefectível trilha sonora ao fundo. Tudo bem ornamentado para que
você não se agüente e padeça com o semelhante. Aí chega o sábado a noite e vem
o “Programa da Sabrina” que tem a japa como grande figura e extremamente
carismática, mas que derrapa quando esbarra em matérias onde pretende ajudar os
outros mas não sem antes ir até o limite da sofreguidão alheia.
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| Rodrigo Faro mudou para os domingos e junto com ele quadros onde dançava Foto: Divulgação/Record |
Entretanto, é no domingo que
encontra-se dois grandes problemas. O primeiro atende pelo “Domingo Show”, de
Geraldo Luís. São, aproximadamente, quatro horas no ar num programa ao vivo no
dia nobre da TV. Certamente a Record poderia oferecer ao seu público uma
cartela melhor para um dia em que as pessoas buscam distrair-se frente à
telinha. Porém, tão nobre quanto disputado a rede faz deste seu produto uma
verdadeira “colcha de pieguices e sofrimento”. É difícil acompanhar o dominical
e não presenciar as histórias mais escabrosas ou apelativas, com direito a
suspense, a indefectível trilha sonora e um ar meio “Gil Gomes” do
apresentador. Pior do que isso é ver que Rodrigo Faro saiu de um alegre sábado
onde nos divertíamos com seu “Dança Gatinho” para vê-lo fazer o mesmo melodrama
nas tardes dominicais, deixando de lado o Faro que nos acostumamos.
Mas aí você pode dizer que “se há
esses tipos de programas, é porque há público para assisti-los”. E você tem
razão. Todos esses exemplos acima citados registram índices satisfatórios para
o canal paulista, especialmente Geraldo Luís e Faro que, vez ou outra, chegam a
liderar ou vice-liderar com folga. Porém a “Rede Record” não precisa fazer de
sua programação um bastião do “Muro das lamentações”, da doutrinação ou da
apelação. Audiência não signfica “sofrência” e oferecer um pouco mais de
escapismo, onde se informar e divertir seja a regra, não faz mal a ninguém.
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| "Programa do Gugu" explora o sofrimento alheio e não oferece entretenimento Foto:Reprodução |



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